Teste: Omoda 5 HEV faz 23 km/l e foca no custo-benefício contra Corolla Cross (VIDEO)

Versão topo de linha Prestige custa R$ 184.990, traz boa lista de equipamentos e ótimo desempenho; veja as impressões ao dirigir

Por Vitória Drehmer | AutoEsporte

14/06/2026

Teste: Omoda 5 HEV faz 23 km/l e foca no custo-benefício contra Corolla Cross
Omoda 5 HEV Prestige — Foto: Renato Durães/Autoesporte

Desde que foi lançado, no final de 2025, o Omoda 5 HEV praticamente se tornou um astro. Pode parecer exagero, mas esse nome começou a surgir por todos os cantos em comentários sobre custo-benefício. Afinal, estamos falando de um SUV híbrido pleno (HEV) de porte médio que custa o mesmo que versões de entrada ou intermediárias de alguns compactos a combustão. Mas será que o novato chinês vale o investimento?

Para responder essa pergunta, rodamos mais de 150 km com a versão topo de linha do Omoda 5 HEV, chamada de Prestige, que custa R$ 184.990. No entanto, o SUV médio parte de R$ 164.990 em sua opção de entrada, Luxury.

Que comecem as comparações. O Toyota Corolla Cross tem preço inicial de R$ 192.990, mas a sua versão eletrificada, XRX Hybrid, já sai por R$ 222.690. O conterrâneo GAC GS4 não sai por menos de R$ 191.990. Mais do que isso, o Omoda 5 chega a ser mais barato que o Volkswagen T-Cross Comfortline, a configuração intermediária do SUV (compacto) mais vendido do Brasil, que custa R$ 181.990. O primeiro motivo do burburinho está explicado: o preço.

Não estranhe o fato de não termos sequer citado o GWM Haval H6 HEV. Acontece que o SUV acabou de se tornar flex e, por isso, ainda não conseguimos testar a novidade na pista para comparar com os rivais. Inclusive, o Omoda 5 vai seguir o mesmo caminho de também poder ser abastecido com etanol em 2027.

E apesar de também estar à venda com motorização elétrica, a opção testada por Autoesporte usa justamente o chamado SHS (Super Hybrid System). Em outras palavras, trata-se de um conjunto híbrido pleno, como já adiantado.

motor 1.5 TGDI turbo a gasolina, com injeção direta e 135 cv — o mesmo do Jaecoo 7 —, trabalha em ciclo Miller e atua em conjunto com um propulsor elétrico dianteiro de 204 cv. Combinados, entregam 224 cv de potência e 30,1 kgfm de torque. O câmbio é DHT (Dedicated Hybrid Transmission), com uma marcha mecânica e múltiplas variações geradas pelo motor elétrico.

Fato é que entrega quase o dobro da potência do rival da Toyota, que oferece 122 cv. O concorrente da GAC tem 235 cv, mas mesmo assim não é mais rápido que o Omoda 5. Em nossos testes, realizados no Campo de Provas da 127, os dois SUVs chineses aceleraram de 0 a 100 km/h em exatos 8 segundos. O desempenho é excelente para o segmento e fica bem acima dos 12,7 s do Corolla Cross. Mais uma explicação para tanto falatório.

Na prática, mesmo que o Omoda 5 tenha mais de 1,5 tonelada, a condução é suave. Isso porque além da boa aceleração, as retomadas são ágeis. Precisa, por exemplo, de 6 segundos para sair dos 80 km/h e chegar nos 120 km/h. Ou seja, faz ultrapassagens e encara retomadas com segurança.

Quando está apenas com o motor elétrico em uso, o silêncio é absoluto. No entanto, é perceptível quando o propulsor a combustão entra em ação, com bastante interferência na cabine – mesmo com manta acústica e vidros com isolamento de ruído.

Para compensar, o SUV é bem confortável. A suspensão McPherson na dianteira e multilink na traseira consegue filtrar as irregularidades do solo melhor do que vários conterrâneos. Por outro lado, a direção é excessivamente leve e anestesiada, não passando a segurança necessária para o motorista. Além disso, o freio é sensível demais e o vão livre do solo é de apenas 14,5 centímetros, mais próximo de um hatch que de um SUV.

Só que o Omoda leva a melhor quando o assunto é consumo de combustível. No modo Eco, com gasolina no tanque e com o ar-condicionado ligado, garantimos 22,7 km/l na cidade. Ou seja, mais econômico que a média de 20 km/l do rival chinês e de 16,8 km/l do japonês.

Na estrada e com as mesmas condições, foram 19,6 km/l, número também superior ao dos concorrentes. Importante lembrar que o consumo rodoviário é sempre maior nos carros eletrificados porque as acelerações são mais constantes e há menos recuperação de energia das baterias. Ainda assim, com o tanque de 51 litros, a autonomia estimada fica em torno de 1.000 km – o suficiente para sair da capital paulista e chegar no Rio Grande do Sul sem precisar abastecer.

Aliás, o Omoda 5 HEV tem bateria de 1,83 kWh de íons de lítio e, claro, sem recarga externa. Inclusive, essa é uma das vantagens de ter um híbrido pleno na garagem porque, diferentemente dos plug-in (PHEV), não é necessário colocar o carro na tomada.

Na cabine, o acabamento é excelente, pelo menos na versão Prestige. Traz material emborrachado em quase todo o painel, detalhes que imitam madeira para dar um charme extra e não abusa do plástico rígido. Os bancos são revestidos de couro sintético apenas na opção topo de linha. Na de entrada, a forração é com tecido.

O console central é elevado e tem dois andares. A parte de cima é bem distribuída, com porta-copos, botões de modos de condução (Eco e Sport) e acionamento do ar-condicionado. O carregador de celular por indução só está disponível na configuração mais cara e pode ficar escondido porque há uma espécie de “portinha”. A parte inferior se transforma em um grande porta-objetos com duas entradas USB (tipo A e tipo C), além de uma tomada 12V – todos posicionados em uma área de difícil acesso.

alavanca da troca de marchas fica posicionada no canto direito da coluna de direção. Estou longe de ser fã desse formato, mas preciso abrir uma exceção para a Omoda, que solucionou o problema dos comandos do conjunto de iluminação ao colocar botões físicos na lateral esquerda do painel. Bem mais fácil do que ter que procurar isso na central multimídia.

Falando nela, é integrada ao painel de instrumentos e cada uma das telas tem 12,3 polegadas. Há conexão sem fio para Apple CarPlay e Android Auto. A conectividade demorou um pouco para acontecer em um primeiro momento, mas depois ficou estável e sem travamentos. Junto disso, o sistema é rápido e intuitivo. Basta puxar a tela para cima para encontrar todos os ajustes do ar-condicionado de duas zonas. Rolando para baixo estão as demais principais funções.

O Omoda 5 ainda tem mais um motivo para ter virado o centro das atenções: a lista de equipamentos é recheada desde a versão mais barata. São sete airbags, controle de velocidade de cruzeiro, assistente de frenagem, sensor de estacionamento traseiro e dianteiro e câmera 360º com uma ótima resolução. Há também teto solar com persiana manual e iluminação ambiente com diversas opções de cores.

Por ser R$ 20 mil mais cara, a opção Prestige sobe ainda mais o nível. Adiciona bancos dianteiros com ajustes elétricos, ventilação e aquecimento, sistema de som Sony com oito alto-falantes, sensor de chuva e 15 recursos de assistência ao motorista, como monitoramento de ponto cego, frenagem de emergência e assistente de permanência em faixa, por exemplo.

Só que o Omoda 5 também tem seus pênaltis. O espaço interno é um dos principais pontos negativos. Mesmo com 2,61 metros de entre-eixos, o SUV não garante tanto conforto para pessoas mais altas, com cerca de 1,80 m de altura. A área para os joelhos está longe de ser boa para a categoria. O mesmo acontece na acomodação da cabeça, que pode raspar no teto, já mais baixo por se tratar de um cupê. Pelo menos há saídas de ventilação, mais duas entradas USB e apoios de braço macios nas portas.

O porta-malas repete o mesmo erro. São apenas 372 litros de capacidade, contra 440 litros do Corolla Cross. A GAC não informa qual é a litragem do GS4 no padrão VDA. De qualquer forma, estamos falando de um compartimento semelhante ao de um T-Cross – e nem há estepe para roubar espaço, apenas um kit de reparo. Para compensar, a opção topo de linha tem abertura e fechamento elétricos da tampa.

garantia de 7 anos para o veículo e de 8 anos para a bateria é competitiva, mas ainda fica atrás dos 10 anos oferecidos pela marca japonesa. Junto disso, o Omoda 5 também tem revisões com valores acima da média. Para os primeiros cinco serviços, o dono do SUV precisa gastar R$ 7.400. A GAC cobra R$ 5.450 no GS4, enquanto a Toyota cobra R$ 4.680 no Corolla Cross.

O Omoda 5 HEV tem argumentos de sobra para justificar toda a atenção que recebeu desde a sua chegada ao Brasil. É extremamente econômico, tem bom desempenho e lista generosa de equipamentos por um preço competitivo. Para o cliente brasileiro, que gosta de levar mais por menos, o SUV chinês se mostra um prato cheio.

Com 7.256 vendas entre janeiro e maio de 2026, o Omoda 5 já aparece no retrovisor da Toyota, que lidera a disputa com 7.846 emplacamentos (desconsiderando as versões a combustão). Falta apenas transformar o entusiasmo que desperta nas ruas em um pouco mais de carros nas garagens. Superar o histórico de confiabilidade da japonesa realmente não é nada fácil.

Omoda 5 HEV – Prós e contras

  • Pontos positivos: desempenho acima da média, consumo excelente e lista de equipamentos recheada;
  • Pontos negativos: espaço interno não parece de SUV médio, porta-malas é pequeno e revisões são caras.

Teste – Omoda 5 HEV

Ficha técnica – Omoda 5 HEV

Ficha técnica
Preço: R$ 184.990
Motor: Diant., transv.,4 cil. em linha, 1.5 16V, turbo + motor elétrico
Potência: 224 cv
Torque: 30,1 kgfm
Câmbio: Automático, múltiplas relações, tração dianteira
Bateria: 1,8 kWh (íons de lítio)
0 a 100 km/h: 8 segundos
Consumo: 22,7 km/l (urbano) 19,6 km/l (rodoviário)
Direção: Elétrica
Suspensão: Indep., McPherson (diant.) e multilink (tras.)
Freios: Discos sólidos (diant.) e ventilados (tras.)
Pneus: 215/55 R18
Porta-malas: 372 litros (VDA)
Tanque: 51 litros
Peso: 1.546 kg
DIMENSÕES
Comprimento: 4,44 m
Largura: 1,82 m
Altura: 1,59 m
Entre-eixos: 2,65 m
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