Governos na Costa Rica, Etiópia, Uruguai e muitos outros países estão promovendo veículos elétricos como uma forma de se tornarem menos dependentes do petróleo importado, um peso para suas economias e reservas de moeda estrangeira. A Costa Rica não é produtora de petróleo e gera quase toda sua eletricidade a partir de energia hidrelétrica.
“Isso dá à Costa Rica soberania energética”, disse Kattia Cambronero, membro da Assembleia Legislativa da Costa Rica que, em abril, aprovou uma lei para acelerar a construção de estações de carregamento.
O presidente da Costa Rica, Rodrigo Chaves, um populista de direita, deve sancionar a legislação mesmo sendo um adversário político de Cambronero. Nenhum político costarriquenho quer afastar os proprietários de veículos elétricos, um eleitorado crescente.
A Costa Rica também mostra o que acontece quando não há barreiras para veículos baratos fabricados na China. BYD, Geely, MG e dezenas de outras marcas chinesas rapidamente dominaram um mercado anteriormente controlado por marcas japonesas, americanas e europeias. Modelos de montadoras ocidentais, incluindo Tesla, são praticamente invisíveis.
Pelo menos três modelos elétricos chineses são vendidos por menos de US$ 20.000, segundo a Asomove, uma associação de veículos elétricos da Costa Rica. Os veículos elétricos estão cada vez mais acessíveis em países como a Costa Rica, que é rica para os padrões da América Central, mas tem renda per capita de cerca de um quarto da dos Estados Unidos.
Quando a Asomove pesquisou seus membros, “70% disseram que mudaram para um veículo elétrico por causa da economia, não pelo meio ambiente, não pela saúde — para economizar dinheiro”, disse Silvia Rojas, diretora executiva da organização.
Em alguns aspectos, a Costa Rica é bem adequada para veículos elétricos. A maioria das pessoas tem deslocamentos curtos, e é possível, com alguns carros, dirigir de San José, no centro do país, até a costa do Pacífico e voltar sem precisar recarregar.
A Costa Rica começou a incentivar a posse de veículos elétricos em 2018 ao isentá-los de impostos e taxas. O objetivo era ajudar o meio ambiente, em linha com as políticas de sustentabilidade do país, disse Rojas, que ajudou a aprovar a lei como assessora legislativa. O ecoturismo é uma indústria importante.
Agora, com os preços do petróleo altos, a política parece inteligente. Mas a Costa Rica e outros países mais pobres permanecem vulneráveis. A maioria dos caminhões pesados funciona com diesel, e os carros com motor a combustão ainda representam a maior parte das vendas de veículos novos.
“Ajuda”, disse Sergio Capón, presidente da Câmara de Indústrias da Costa Rica, sobre a popularidade dos veículos elétricos. “Mas estamos muito preocupados com a capacidade da nossa matriz elétrica de suportar esse crescimento.”
O clima seco prejudicou a produção hidrelétrica alguns anos atrás e quase levou ao racionamento de energia. Mais precisa ser feito para explorar a abundante luz solar da Costa Rica para energia solar, disse Capón.
Marco Acuña, CEO do Grupo ICE, a maior concessionária de energia da Costa Rica, observou que os veículos elétricos geralmente carregam à noite, quando as tarifas são mais baixas, e que a empresa está investindo em nova geração de energia, incluindo solar. “Não vemos nenhum problema em fornecer eletricidade para veículos elétricos”, disse ele.