18/07/2026
A província chinesa de Hainan anunciou a proibição da venda de novos carros a combustão a partir de 2030. Pioneira no país, a medida faz parte do plano da ilha para criar uma zona piloto ecológica, alinhada às metas da União Europeia. A decisão é amparada principalmente pela rápida eletrificação nacional e por índices recordes de reciclagem de baterias regulados pelo governo chinês.
O plano estabelece que, até o fim da década, mais de 45% da frota circulante em Hainan será de veículos de nova energia (NEVs). A transição começará pelo setor público e se estenderá aos carros particulares. A geografia da ilha, com cerca de 35.400 quilômetros quadrados e uma rodovia circular de 612,8 quilômetros, favorece o alcance dos elétricos atuais.
A escolha do local não é por acaso: Hainan já lidera a China em participação de mercado de NEVs e ocupa o segundo lugar em volume total dessas frotas. Embora não seja um grande polo industrial automotivo – exceto pela presença histórica da Hainan Mazda -, a ilha tem as condições de mercado perfeitas para viabilizar o projeto “Clean Energy Island”.
Para evitar colapsos de rede, apontados pelo jornal People’s Daily, a ilha quer ampliar sua autossuficiência energética de 24% em 2025 para 54% até 2030. O foco está no investimento em energia nuclear e fontes renováveis, mantendo uma proporção de menos de 2,5 veículos por ponto de recarga ativo.
Essa transição regional é impulsionada pelo mercado nacional altamente maduro. Dados compilados do CarNewsChina mostram que, no ano passado, os dez carros elétricos e híbridos plug-in mais vendidos superaram as 200 mil unidades anuais cada. O topo do ranking foi liderado pelo Geely Galaxy Xingyuan – vendido aqui como EX2 – que somou 465.775 emplacamentos.
O Wuling Hongguang Mini EV ficou em segundo com 435.599 vendas, seguido pelo Tesla Model Y – único modelo estrangeiro no topo – com 425.337 registros. A BYD consolidou sua força ao posicionar nove veículos entre os 20 mais vendidos da China, incluindo sucessos como o Seagull (Dolphin Mini) e o Qin Plus (irmão mais simples do King), provando a viabilidade comercial dos elétricos.
Para dar sustentabilidade a esse volume massivo, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) da China já determinou que sejam adotados rígidos padrões de reciclagem desses produtos no médio a longo prazo. Como resultado, empresas locais já recuperam até 99,6% de níquel, cobalto e manganês das baterias descartadas. O reaproveitamento de lítio já alcança entre 96% e 98%, segundo dados da IT-Home.
Essas marcas superam com folga as metas da União Europeia, de recuperar 90% dos metais críticos até o fim da década. Apenas a Guangdong Brunp, subsidiária da líder CATL, opera mais de 200 centros de reciclagem e planeja processar 1 milhão de toneladas de baterias. O avanço também deixa para trás os Estados Unidos, que enfrentam lenta expansão de infraestrutura e até boicote por parte do governo atual.